Chamadas Encerradas



V.5, nº5, 2018: Direito à Literatura, Direito ao Grito


A próxima edição da Revista Odara propõe uma parceria com o Claro Enigma. Apesar dos cento e quinze anos do nascimento do poeta, não estamos falando de Drummond; Claro Enigma é o evento anual organizado pelos monitores e pesquisadores do Departamento de Ciência da Literatura da UFRJ desde 2013, e esse ano ocorreu nos dias 07 e 09 de novembro. O interesse dos alunos com o encontro é apresentar, debater e partilhar o núcleo e as fronteiras de suas pesquisas. A Odara adota em seu próximo número o tema proposto pelo Claro Enigma: Direito à Literatura, Direito ao Grito.

O mote do evento é pensar o impasse na reflexão e no fazer literários entre o humano e o inumano gritante. O embate surgiu de uma conversa entre os monitores sobre o texto de Antônio Cândido, Direito à Literatura, no qual propõe que a manifestação de humanidade seria uma expressão inerente à Literatura e cuja fruição deveria ser um amplo direito. À essa noção, contrapôs-se durante o debate a ideia de que a Literatura seria também espaço para o desordenado e o inumano. Por outro lado, um dos subtítulos de A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, é Direito ao Grito. O nome anuncia um lançamento naquilo que é desregrado, na busca a dar voz às inúmeras tentativas de um fazer literário árduo, feito mediante a recusa e a dificuldade da forma. Ainda em Clarice, a obra intitulada Água Viva, grande instante de reflexão sobre escrita, havia antes sido nomeado Objeto gritante. Para a escritora, portanto, a literatura gritava, a escrita perdia o contorno e, muitas vezes para os críticos, perdia-se até mesmo o que se considerava ser Literatura.

A Odara e o Claro Enigma decidiram, então, abrir a discussão para pesquisadores, leitores e colaboradores. A revista publicará os artigos apresentados durante o evento e convida os que quiserem integrar-se nesse debate a contribuir criativamente com contos, poemas e crônicas.

Envios até o dia 2 de fevereiro de 2018

V4, nº4, 2017: Desacreditado Mundo Novo


A Revista Odara resolveu falar da barata. Não de barata, mas dela, a barata que nos apresentou Clarice Lispector em A paixão segundo G.H.. O encontro de G.H. com o inseto em um quartinho da própria casa nos revela o repulsivo que nos é oferecido e proposto diariamente. Já não estamos a propor, fomos propostos. É como escreveu o professor e pesquisador Jorge Larrosa em Notas sobre a experiência e o saber de experiência, texto que tem como base o pensamento de Walter Benjamin: “A cada dia se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece. Dir-se-ia que tudo o que se passa está organizado para que nada nos aconteça.”

A pobreza da experiência estaria atrelada a um cotidiano fragmentado por contínuas perdas. Ao longo do século XX e no início deste século XXI, vimos despencar as expectativas e serem abandonadas práticas, tanto individuais quanto coletivas, que miravam a autonomia e a partilha de experiências. Algumas vezes elas nos foram retiradas por nós mesmos, a partir do momento em que deixamos de acreditar nas ações que nem nos valemos mais a fazer. Nos contentamos com o que nos foi proposto e com isso cresce a ausência de expectativas, ideais, interesses e motivações. Embaladas por essa desesperança, acabam por se perder, também, as relações de risco - aquelas que nos expõem a certas expectativas e perigos justamente por serem incertas. Fugimos da barata que cruza o nosso caminho.

A equipe editorial da Odara os convida a pensar sobre a morte da esperança e a ausência do ímpeto de aventurar-se em relações de risco sob pretexto e comando da estabilidade. "A segurança tende a tornar-se em muito pouco tempo uma coisa aceita como normal", afirmou Aldous Huxley em Admirável mundo novo. A Odara, por sua vez, não toma a segurança como caminho único e consolidado. Baseado nas inquietações dos membros da revista e inspirados pelos estudantes secundaristas que ocupam escolas em todo o Brasil, abrimos espaço para artigos, contos e poemas que reflitam, a partir da literatura e da crítica, sobre a subverção da desesperança e a criação de novas formas de experiência e de partilha da vida.

V3, nº3, 2016: Real, Impossivelmente Real


A chamada da terceira edição da Revista Odara acaba de sair do forno!

Certos leitores acreditam que a literatura é uma saída para a criação de um mundo outro, a ferramenta para um escape. Outros ainda, desconfiando dessa premissa, chegam à literatura, não como forma de saída, mas sim como mais um fôlego diante do mar revolto da realidade. Ambas as posições nos levam a questionar se a literatura saberia ou não representar o mundo.

O terreno que desejamos adentrar se colocou para nós como uma incógnita: a Ficção Especulativa. Tem este da nossa próxima edição.

Entendida como um gênero moderno e global que inventa um universo diferente do conhecido criando um novo mundo a partir do zero ou modificando a forma como entendemos a realidade, essa expressão artística propõe um novo modo de conhecimento. A ficção especulativa não pretende ser verdadeira ou falsa. Ela gira em torno do "como se", do "imaginemos" e do "suponhamos" na concepção das possibilidades.

Maiores informações acesse o site da nossa plataforma, blog ou página no facebook.

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