Nacionalidade

Guerreiras da tribo, meu canto ouvi
sou filha da mata, na pedra cresci
que por uma letra em fim adjetivo
tive tudo tirado de mim, te digo
me negaram um nome, me negaram um lar
de homem em homem tive que saltar
E hoje grito, guerreiras, escutar
Eu sei que sou Marabá

Sou filha da puta da esquina de lá
sou filha do estupro, do fetiche, do amar
da morte do amor, criança sem par
Eles queiram ou não
Eu sou Marabá

Guerreiras avante no mar de lá
Que Yemanjá é mulher e não pode governar
Guerreiras da tribo dos ouros de cá
que foram roubados pelos pais de lá
e depois na senzala ouvirem chorar
ela grita de longe

Me neguem emprego, me neguem de dar
Me tirem as roupas, me joguem no mar
Escondam o corpo, sem nada pagar
Guerreiras ouvi
A gente somos Marabá

Da favela, do prédio, da rua, do ar
As que nasceram e que vão se formar
Ouvi nossos choros, nossos filhos gritar
Não mais por hoje, vamos lutar
que chega de sangue de vida lutada
Guerreiras ouvi, temos uma empreitada
um apenas para enfrentar e matar
Digam pra eles
Eu sou Marabá

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