V. 5, n° 5, 2018

Direito à Literatura,
Direito ao Grito



Editorial

Equipe Odara

Parece que mais uma vez a nova edição da Odara ficou engavetada mais tempo do que o desejado. Novamente passamos por imprevistos e desafios, colocando à prova a nossa vontade de manter o projeto funcionando. Como é difícil manter uma revista de graduação! Entre toda a pressão e as obrigações que a vida acadêmica nos impõe, achamos uma pequena brecha na louca grade horária da Faculdade de Letras para respirarmos um pouco na Odara. É isso que a revista pretende ser, na medida do possível: um sopro de alívio entre a correria natural do dia a dia.

Esse foi um semestre de perdas: três queridos integrantes da Equipe seguiram novos rumos. Erick, Pablo e Paula tiveram que nos deixar nessa edição, ficamos com uma alegre saudade e cheios de gratidão pela dedicação dos três. Em contrapartida, agora contamos com Bárbara, Giulia e Vinícius, novos integrantes da equipe editorial da Odara. Além disso, temos a felicidade de anunciar que a revista deu mais um passo, expandindo os horizontes universitários para fora da Faculdade de Letras e, até mesmo, da UFRJ. Temos, a partir dessa edição, uma equipe de ilustração composta por Aninha (EBA - UFRJ/ Letras - Puc Rio), João (Jogos Digitais - IFRJ) e Marcela (EBA - UFRJ). A arte da capa foi feita por eles. Estamos muito felizes com essa parceria e damos boas vindas a todos. A saída de Erick, Pablo e Paula deixou um misto de saudade e de necessidade de adaptação. Nos tirou de uma zona de conforto e nos colocou em ação. Aos três dizemos um carinhoso até breve.

Outra parceria que fizemos, para esta edição, foi com o Claro Enigma, evento organizado pelos monitores e monitoras do departamento de Ciência da Literatura. Ambos, Odara e Claro Enigma, são projetos feitos por alunos de graduação e para alunos de graduação. O tema do evento, ocorrido nos dias 7 e 9 de novembro de 2017, coincide com o tema da revista: Direito à Literatura, Direito ao Grito, que foi pensado dentro da perspectiva de uma conversa entre o texto “Direito à Literatura” de Antonio Candido e A Hora da Estrela de Clarice Lispector (sim! mais uma vez estamos falando de Clarice!). Candido, por um lado, reflete sobre a literatura como um direito, e afirma que “negar a fruição da literatura é negar a nossa humanidade”. Lispector, por sua vez, nos apresenta, como um dos subtítulos de A Hora da Estrela, o direito ao grito. Sob esses olhares, foi proposto um debate entre essas duas linhas de pensamento, no qual os pesquisadores e as pesquisadoras da graduação foram convidados a apresentar seus trabalhos, relacionando-os com o tema.

O evento contou com a presença, na mesa de abertura, da poeta Angélica Freitas e da poeta e professora Tatiana Pequeno; houve um sarau de encerramento com microfone aberto e com a participação da Oficina Experimental de Poesia e trabalhos que abordaram desde produções cinematográficas baseadas na obra de Guimarães Rosa até o samba-enredo da Paraíso do Tuiuti. Música, cinema, literatura, diversas manifestações artísticas foram contempladas pelos trabalhos apresentados e aqui publicados. Conceição Evaristo, Carlito Azevedo, Clarice Lispector, Alberto Caeiro, Adriana Leitão, Walter Benjamin foram alguns dos autores, artistas e teóricos abordados pelos pesquisadores.

Como ficaria, então, a parte criativa da Odara? Decidimos abrir chamada para a submissão de contos, poemas, quadrinhos, resenhas e ilustrações. Queríamos saber como o tema proposto seria apresentado através da ótica artística. Foi assim que recebemos os poemas de Deborah Gonçalves, Eduarda Vaz e Mahena, além do conto de Renata Benicá. Todas vozes femininas em diferentes contextos, retratando diferentes gritos. Compomos a Odara com essas vozes polifônicas, cada uma com sua própria melodia, embora juntas dentro do mesmo tom.

Após meses do evento Claro Enigma e da abertura de chamada da revista, uma importante voz feminina foi silenciada. Uma voz que gritava e lutava por direitos daqueles que infelizmente são socialmente marginalizados: negros, favelados, LGBTQ, periféricos, indígenas, mulheres, crianças. Uma voz chamada Marielle, brutalmente silenciada em 14 de março de 2018. Digo aqui silenciada, mas, na verdade, o assassinato de Marielle fez com que sua voz fosse repercutida, como um eco que não cansamos de fazer chegar a todos os lugares. Não nos esgotaremos de gritar até que seja feita justiça. A quinta edição da Odara é em memória de Marielle Franco e Anderson Gomes. Por isso, gritamos: Marielle, presente! Anderson, presente!

Poéticos

Claro Enigma